Seriestvmp3's Blog

julho 3, 2009

NAÇÃO ZUMBI

Filed under: (Discografias),Nação Zumbi (D) — seriestvmp3 @ 6:12 pm

A Nação Zumbi deve ser pensada como um coletivo de idéias artísticas, guerrilhas culturais e intervenções políticas, entre outras atividades, do qual a banda musical é apenas sua (inter) face mais visível e aparentemente amigável. O Mangue está na origem de tudo. O Mangue como gerador de uma antropofagia cultural, que deu nova potência e direção para a visão de mundo dos agrupamentos mais combativos da juventude brasileira dos anos 90.

O Mangue mudou a cara de Recife e do Brasil. Pouco a pouco, o resto da Nação, que ainda não é Zumbi, vai se dar conta dessa mudança. No Recife, todo mundo sabe do que estou falando. Com a morte de Chico Science, até os governantes pernambucanos descobriram estar vivendo num novo Estado e foram obrigados a decretar luto oficial de três dias.

As honras estatais chegaram tarde: milhares de mangue-boys e mangue-girls já percebiam, há anos, que o Recife não era o mesmo e que a morte de Chico não ia fazer o mundo e a cidade voltarem para trás. Todos tinham que continuar a viver no movimento deflagrado por Chico e pelo Mangue. A Nação Zumbi também tinha certeza, por mais emocionalmente destruídos que seus componentes estivessem, que o dever era continuar em ação, para mudar ainda mais, e para melhor, o que já estava mudado.

Por isso, não é exagero dizer que a Nação Zumbi é um coletivo político. A atividade Mangue no Recife foi política sem aliança com os políticos. A sua lição mais básica foi absolutamente clara: se o mundo está ruim, mudemos o mundo. Se a cidade do Recife está culturalmente estagnada, implantemos na cidade, sem a ajuda de ninguém, um estado caótico de agitação artística. Não adianta ficar sentado no bar reclamando da vida, da distância de Londres ou Nova Iorque. Basta fazer alguma coisa, qualquer coisa boa. Basta confiar na própria criatividade. Ninguém imaginava, no final dos anos 80, que Recife fosse se transformar na capital do pop brasileiro. Ainda bem que, como diria a cartilha Mangue, o mundo é não-linear. Surpresas, felizmente, acontecem.

E Recife não é a capital de um pop brasileiro qualquer. O Mangue reinventou o que é ser pop no Brasil. Escutar, hoje, “Da Lama ao Caos” e “Afrociberdelia”, os dois discos de Chico Science & Nação Zumbi, ainda é surpreendente. Como disse um crítico americano: “aquela música não soa como nenhuma outra”. Não era para menos: Chico Science & Nação Zumbi nasce de um encontro entre muitos projetos político-culturais recifenses diferentes, todos com uma voracidade informacional espantosa.

No início, Chico e Jorge tinham feito escola na Legião Hip Hop, guangue de grafite, break dance e rap. Lúcio e Dengue demonstraram ser alunos aplicados na lição do “faça você mesmo” do punk e do trash. Gilmar, Canhoto e Gira participaram de um bloco afro pioneiro (filho de outro curto-circuito cultural, o do samba-reggae); Toca é mestre nos terreiros de Xangô.

Depois ainda entrou a bateria virtuose (e nem um pouco lugar-comum) de Pupilo. E entrou maracatu rural, e jungle, e afro-beat, e coco dub, e sampler, e baião ambiental, e teoria do caos, e filosofia pós-cangaço, e cyberpunk, e todo o resto.

O resto já é história: a garotada de Recife descobriu que gostar de maracatu é bacana. O Sepultura descobriu suas “roots”, Goldie lançou sua homenagem para Chico, o Baile Perfumado ganhou prêmio em Brasília, Caos e internet viraram sucessos comerciais. Mas a luta continua.

O som da Nação Zumbi, como um “provedor celestial”, não é um território fechado, esgotável. Para a Nação Zumbi, sempre será possível fazer uma nova conexão, ou milhares de novas composições.

O vocalista, Jorge du Peixe, assumiu o posto deixado por Chico Science e em 2000, a Nação lançou, de forma totalmente independente, o disco “Rádio S.AMB.A”, com participações especiais de Zé Gonzáles, DJ Nutz, do trombonista Bocato, Fred Zero Quatro e do grupo Tortoise. Destaque para as faixas “Jornal da Morte” e “Brasília”, as mais pesadas do disco.

Em 2002, o grupo assinou com a gravadora Trama e gravou o álbum intitulado “Nação Zumbi”. Com produção de Arto Lindsay e mixagem de Scott Hard o trabalho foi muito bem aceito na mídia e faixas como “Amnesia Expresss”, “Faz Tempo” e “O Fogo Anda Comigo”, mostram toda a diversidade da Nação.

A evolução do Nação Zumbi foi registrada no DVD “Propagando”, lançado em 2004, com muitos ‘hits’ acumulados ao longo da carreira da banda.

2005 foi o ano de “Futura”, o sexto álbum, produzido pela própria banda, que trouxe novos experimentos com música eletrônica e convidados como Mauricio Takara, do Hurtmold, e de Fernando Catatau, do Cidadão Instigado.
.

DISCOGRAFIA

.

1994 – Da Lama ao Caos

1996 – Afrociberdelia

.

.

1998 – CSNZ

2000 – Rádio S.Amb.A

.

.

2002 – Ñação Zumbi

2005 – Futura

.

.

2006 – Propagando

2007 – Fome de Tudo

.

.

Deixe um comentário »

Nenhum comentário ainda.

RSS feed for comments on this post. TrackBack URI

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Blog no WordPress.com.

%d blogueiros gostam disto: